Transplante de ossos? Procedimento pode recuperar qualidade de vida de pacientes

Transplante de ossos? Procedimento pode recuperar qualidade de vida de pacientes

A realização de transplantes ósseos ainda é uma realidade pouco conhecida no Brasil. E a falta de debate sobre o assunto é justamente o que torna a doação de tecido ósseo ainda mais problemática do que a doação de órgãos. O gesto, contudo, é capaz de melhorar significativamente a vida de pessoas que tiveram perdas ósseas em razão de deformidades congênitas e de coluna, acidentes, entre outros casos.

Em algumas situações, a perda óssea pode ser recompensada com a utilização de tecidos do próprio paciente, em um procedimento conhecido por enxerto, que consiste na retirada de alguma estrutura que cause poucos danos no local e proporcione mais benefícios na parte do corpo onde será realocada. O enxerto é sem dúvidas o procedimento mais seguro, em razão da menor possibilidade de rejeição. Contudo, nas complicações mais extensas, a saída é a recepção de osso de outra pessoa.

As doações, contudo, são mais escassas do que as de órgão e o processamento e armazenamento, mais caros. Ao contrário dos órgãos, os ossos passam por um processo de limpeza que tem por objetivo eliminar todas das células do doador, diminuindo, assim, as possibilidades de rejeição e acelerando a recuperação.

Nesta fase do processo, a irradiação dos ossos é um processo que vem ganhando força como método de eliminação de bactérias ou qualquer outro material que possa contaminar o receptor. Depois de completamente esterilizado, o osso é medido, embalado e congelado em um banco até que se identifique um paciente com as mesmas medidas – lá, ele pode permanecer por até 10 meses. Ao encontrar um receptor compatível, a estrutura é encaminhada ao hospital onde se realizará a cirurgia. Unido aos demais ossos, o novo, sem qualquer célula do doador, passará por um processo de integração, no qual será nutrido pelas células do receptor.

 

 

Banco de tecido ósseo

O Ministério da Saúde mantém, no Rio Janeiro, o Banco de Tecidos Músculoesqueléticos do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), a principal referência no pais na captação, processamento e distribuição de ossos, tendões e meniscos para utilização em cirurgias de transplantes.

Familiares de pacientes que venham a falecer podem solicitar que a Central de Transplante do Rio de Janeiro seja contatada. Os profissionais farão uma avaliação sobre a possibilidade da doação. A equipe médica tem até 12 horas para retirar o tecido.

Podem doar pessoas com idade entre 18 e 70 anos, que não tenham sido vítimas de câncer ósseo, osteoporose ou doenças infecciosas transmitidas pelo sangue (como hepatite, AIDS e malária). Segundo o Into, é muito importante que os futuros doadores expressem, em vida, sua vontade de doar ossos já que, após confirmação do falecimento, a autorização é dada pela família.

O Instituto afirma que os ossos de um doador podem beneficiar até 30 pacientes e reitera que o processo é feito cautelosamente para que a aparência do doador não seja afetada. Os locais da retirada são reconstituídos com material sintético.

Os telefones do Into são: 155 (Estado do Rio de Janeiro) e 08002857557 (outros Estados)

Referência:

Ministério da Saúde e Unicamp

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