“A Radiologia me trouxe até aqui”, conta técnica que virou diretora-geral de complexo hospitalar

“A Radiologia me trouxe até aqui”, conta técnica que virou diretora-geral de complexo hospitalar

Romário Costa / Ascom CONTER
31/10/2019

O sorriso fácil e a voz afável indicam o porquê que essa piauiense radicada na Bahia transformou o ato de cuidar de pessoas em um ofício para a vida. A técnica e tecnóloga Maria do Amparo Rodrigues não sabia, mas Radiologia a levaria a caminhos desafiantes e, hoje, com quase 15 anos de profissão, ela foi indicada ao posto de diretora-geral da Policlínica Regional de Jacobina (BA), um complexo de saúde altamente tecnológico recém-inaugurado, que trará impacto para a saúde da população de 17 municípios baianos. Ela, que para se dedicar integralmente à função se mudou para a cidade, a 330km de Salvador, fala ao CONTER sobre a importância da conquista para toda a categoria profissional.

A história de Maria do Amparo na Radiologia começa em 2005, quando conclui o curso técnico – a formação possibilitou que em 2008 ingressasse no corpo técnico do maior hospital público da Bahia e um dos maiores das regiões Norte e Nordeste, o Hospital Geral Roberto Santos. No ano seguinte, forma-se tecnóloga, pela Faculdade Regional da Bahia (UNIRB). Em 2015, é eleita presidente do Conselho Regional de Técnicos em Radiologia da Bahia (CRTR8), cargo que exerceu até setembro deste ano, quando assumiu a direção da policlínica.

Consciente da importância da educação continuada, tem pós-graduação em gestão de serviços de saúde pública pela Escola Estadual de Saúde Pública (EESP) e também é especialista em Docência do Ensino Superior e em Radioterapia; atualmente é pós-graduanda em Tomografia e Ressonância, além de Gestão Hospitalar. “Estamos em uma profissão que evolui a largos passos constantemente, precisamos acompanhar essas mudanças”, defende.

A bagagem da técnica foi o diferencial que a fez se destacar em meio a diversos profissionais e ser escolhida pelo governador da Bahia para a missão de estar à frente do seu principal projeto para a área da saúde. “Fiquei surpresa com a indicação, não que eu duvide da minha capacidade, mas estamos acostumados a ver outras profissões em cargos de destaque”, confessa Maria do Amparo, que atualmente lidera uma equipe de 67 profissionais, entre médicos, equipe de enfermagem, psicólogos, farmacêuticos, nutricionistas, assistentes sociais, profissionais da Radiologia, além da equipe administrativa.

“É um reconhecimento da importância do nosso trabalho. O profissional da Radiologia ocupa hoje cadeiras nas principais universidades brasileiras, tem participação em decisões de instituições renomadas, está presente em procedimentos médicos de alta complexidade e por que não pode liderar toda uma equipe hospitalar? Estou aqui para provar que podemos alcançar postos de destaque e que não somos inferiores a nenhuma outra categoria”, defende a diretora-geral.

A aposta do governo

As Policlínicas são projeto do governo do estado e prestarão serviços ambulatoriais em diversas especialidades para complementar a assistência básica nas cidades atendidas por cada unidade. Uma das bases do projeto é a prevenção, processo em que os profissionais da Radiologia, por meio dos exames de imagem, desempenham função preponderante. A médio e longo prazos, espera-se diminuir o fluxo de pacientes nas emergências, possibilitar atendimentos de média e alta complexidade no interior e diminuir o número de descobertas tardias de doenças graves.

Serão 24 policlínicas espalhadas pela Bahia, nas quais serão ofertadas especialidades de acordo com o perfil de cada região. Em Jacobina, o atendimento contempla áreas como angiologia, cardiologia, dermatologia, endocrinologia, gastrenterologia, neurologia, ortopedia, oftalmologia, otorrinolaringologia, ginecologia/obstetrícia, mastologia, urologia, pneumologia, anestesiologia, cirurgias de pequeno porte, hematologia, infectologia e reumatologia.  Além de consultas de demanda interna com enfermeiro, farmacêutico, nutricionista e psicólogo.

As unidades funcionam em um esquema de consórcio – o estado paga integralmente a implantação da policlínica e participa com 40% dos custos operacionais mensais. Os outros 60% são divididos entre os municípios consorciados. O consórcio da Regional de Jacobina é formado pelos municípios de Caém, Caldeirão Grande, Capim Grosso, Jacobina, Mairi, Miguel Calmon, Mirangaba, Ourolândia, Piritiba, Quixabeira, São José do Jacuípe, Saúde, Serrolândia, Umburanas, Várzea da Roça, Várzea Nova e Várzea do Poço.

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